quinta-feira, 24 de março de 2011

Abertura de exposições no MAB dia 7 de abril às 19h30



Na Sala Oficial, a exposição Palimpsextos é uma coletiva dos artistas, André Rigatti (PR), Andréa Bertoletti (PR), Audrey Hojda (SP), Gleyce Cruz (PR), Lilian Barbon (SC), Silvia Teske (SC), mestrandos do programa de Pós-graduação em Artes Visuais da UDESC. Apresenta uma reflexão acerca da desterritorialização das técnicas vigentes no universo das artes plásticas, tais como a fotografia, o desenho, a pintura, a instalação, a arte digital. Cada uma delas surge propondo um território que é passível de mudança para o outro, onde o desenho pode ser uma fotografia e vice-versa, a pintura pode ser uma narrativa, a vídeo-instalação é ao mesmo tempo pintura, desenho, fotografia.

Na Sala Especial, a exposição Coleção, conta com 26 obras com técnicas de Litogravura, Xilogravura, Água-forte e Metal, dos artistas baianos ou radicados na Bahia, Antonello L'Abbate, Antonio Lobo, Calasans Neto, Carlos Bastos, Carybé, Floriano Teixeira, Jenner Silveira, Justino Marinho, Mario Cravo, Nelson Martinesi, Eckemberger, Sante Scaldaferri. Acervo de E. Duarte.

Na Sala Alberto Luz, a exposição Autorretrato Monumento de Angela Waltrick (Lages/SC). Foi procurando a sombra de uma araucária que a artista encontrou a própria sombra petrificada. Foi aí que surgiu a série Autorretrato Monumento. O que discutir com uma sombra? O autorretrato para muitos é motivo de contemplação por ser imagem do próprio artista e da sua consagração. O monumento é a homenagem aos "ilustres" de algum lugar. Como consagrar uma imagem que não revela seu rosto? Como inaugurar um monumento de alguém que não se conhece? Como contemplar uma escultura que não se vê?

Na Galeria do Papel, a exposição Deixe que passem os dias, de Frederico Filippi (SP), consiste em 12 desenhos sobre calendários, compreendendo o período de um ano. Os desenhos são inspirados em padronagens kaxinawa e cadiuéu (nações indígenas da América do Sul) e se desenrolam no curso dos "dias"dos calendários. Esse trabalho é uma interpretação da relação do artistas com o tempo como entidade normativa, e de maneira mais abrangente de sua relação com o mundo exterior.

Na Sala Elke Hering, serão expostas sete obras da artista - acervo do MAB.


O poeta e escritor Blumenauense Jairo Costa, estará lançando o livro " A Vida é uma Escola e o Aluno é Você".


Os artistas expositores estarão presentes a patir das 18h30 para bate-papo com artistas, professores, arte-educadores, coordenadores pedagógicos, acadêmicos e alunos em geral.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Estão abertas as inscrições para participar do Edital 2011- 2013 do Rumos Itaú Cultural Artes Visuais.

Para maiores informações sobre o edital, regulamento e inscrição, acesse ao site www.itaucultural.org.br

Carlos Alberto Franzoi integra o grupo de 13 artistas brasileiros convidados pelo Instituto Itaú Cultural para selecionar trabalhos que serão expostos em São Paulo em 2012. Ele estará em Blumenau nos dias 21 e 22 de março, para realizar palestra sobre o projeto "Rumos" , prestando informações e esclarecendo dúvidas.

As palestras acontecerão na Fundação Cultural de Blumenau - Auditório Edith Gaertner
Dia 21 de março às 15h30
Dia 22 de março às 16h
Dia 22 de março às 19h

Aproveite essa oportunidade, escolha o dia e horário mais conveniente e confirme sua participação através do e-mail: gerenciamab@fcblu.com.br

sexta-feira, 11 de março de 2011

Fotos da Noite Multicultural de 03 de março

As fotos estão disponíveis no seguinte endereço online:

http://www.flickr.com/photos/maindra/sets/72157626192402250/

Fundação Cultural apresenta exposições



A Fundação Cultural de Blumenau apresenta as seguintes exposições: na Sala Oficial do MAB, a artista Linda Poll apresenta a exposição Lado a Lado ; na Sala Especial, Valdete Hinning apresenta Alvo Véu, com poemas de Osmar Pisani; na Galeria Municipal de Arte, Sala Alberto Luz, as exposições dos artistas Quiko Nuts e Tales Coirolo; na Galeria do Papel, obras do acervo do artista Abelardo Zaluar. Na Sala Elke Hering, obras do acervo do MAB.

Sala Oficial
Artista Linda Poll. Título da exposição: Lado a Lado, apresentando 10 objetos e 5 instalações.
Lado a Lado analisa as possibilidades de coabitação; do indivíduo e do objeto; explora as características pessoais e de personalidade, desenvolve o significante como referência de lembranças e o viver junto. Os signos montados referendam a uma sequência de ideias montadas como códigos absorvidos e ou vividos no cotidiano. Somos uma sucessão de sinais.

O tema da obra é baseado no livro Viver Juntos, de Roland Barthes, Martins Fontes 2003, que tem como conteúdo os cursos e seminários proferidos pelo autor no College de France, na década de 70. Os objetos são mostrados com analogia em relação à seriação no coletivo, no individual ou ainda com o isolamento. A constante relação do indivíduo que tenta conciliar o individual dentro do coletivo num esforço para atingir a sua independência ou a socialização é tratada na montagem em forma de distanciamento, ou isolamento nos vazios.
A natureza numa visão de fantasia que alimenta os sonhos e que acredita num mundo sem degradação nem destruição é um trabalho que enfatiza a possibilidade de reelaboração de novas formas. Formas estas, criando novas montagens partindo de objetos recolhidos da própria natureza, valorizando assim uma elaboração manual dos objetos.

Linda Poll é artista plástica/performática, arte-educadora, professora e atualmente é coordenadora do Museu Casa Fritz Alt, em Joinville.

Linda Poll lado a lado entre memórias e silêncios
Linda, ao se apropriar dos escritos de Roland Barthes contidos na obra Viver Juntos, busca na memória emotiva sua razão poética. Navega no espaço-tempo por meio de imagens que rondam, que se buscam em nós, por vezes durante uma vida toda, e freqüentemente só se cristalizam através da palavra. Cria então uma fantasia - a volta do desejo segundo Barthes - que a leva a exploração por diferentes bocados do saber. Uma pesquisa constante do silêncio do ser humano no mundo contemporâneo.

Seus objetos provocam simulações e nos permitem viajar por várias línguas, porque há vários desejos. E o desejo busca palavras. Ele as toma onde as encontra; e depois, as palavras geram desejos; e ainda depois, as palavras impedem o desejo. Essa colcha de retalhos, que é a língua, encontramos em suas palavras-imagens de uma forma transcendental e onírica.

Em Lado a lado a artista nos faz mergulhar num mundo de fantasia, desejos, simulações e silêncios do tempo por meio de uma violência sofrida pelo pensamento. Será esse mundo individual, coletivo, ou individual-coletivo? A resposta está em cada um de nós. Basta imergir no seu próprio Ser - no seu mar de lembranças.

Franzoi curador

Sala Especial
Artista Valdete Hinnig, de Florianópolis, residente em Jaraguá do Sul. Título da exposição: Alvo Véu, com poemas de Osmar Pisani. Projeto aprovado pela Fundação Catarinense de Cultura e Governo do Estado. São 16 obras com a técnica foto plotada em PVC.

O alvo? ... é o véu, o alvo véu, o branco véu da noiva, o branco véu das cachoeiras, cascatas, fontes, nascentes que brotam do coração da terra, como uma seiva que sacia a sede, fertiliza o solo e verdeja as campinas... Água-Véu, Fonte-Noiva... início... princípio... revisitando a mitologia antiga vamos encontrar essa relação em Ishtar, deusa do amor e da fertilidade, para os fenícios. Mais tarde, Afrodite para os gregos ... segundo reza a lenda, Ishtar surgiu das profundezas e os vapores da terra e do mar cobriram-na com um véu... transparência velada que guarda o feminino, carrega a alegria de viver, o equilíbrio dos fluidos, os extravasamentos e entregas ... água que batiza a fonte e inaugura o solo, vapores-véus que batizam a noiva e inauguram a mulher... concha de madre pérola aberta para a vida. Com essa proposta Valdete cria uma poética espacial, amarrando na sua simbologia a pureza da água com a pureza da noiva, traduzida pelo "Alvo Véu", "O Castelo da Pureza" escreveu Octávio Paz, referindo-se à obra "O Grande Vidro", a noiva despida por seus celibatários de Marcel Duchamp.

De preocupação social e caráter lírico, o trabalho atenta para a linha do horizonte. A artista, numa peregrinação ritualística, escolhe um local na natureza, organiza o espaço, depois registra em fotografia o cenário metaforizado em cascata-véu; com isso Valdete desloca o olhar para além da imagem e chama a atenção para este precioso líquido que compõe em aproximadamente sessenta por cento o nosso corpo e que desvela emoções... nos alerta para a preservação de suas nascentes, seus rios, seus afluentes... para que, num futuro não muito distante, se continuarmos no desenfreado avanço tecnológico e na mera experiência mercantilista, não precisemos derramar um mar de lágrimas para preencher nossos oceanos de culpas por falta de cuidados com o planeta que nos acolhe... lírica porque evoca sentimentos e o véu que cobre a beleza da jovem donzela, envolve-a numa névoa de mistérios, numa aura angelical, quase divina, como uma nuvem prenhe da água semeadora, de orvalhos úmidos, sequiosos de intimidades. Desconstruindo a noiva, Valdete constrói a metáfora, resignifica os sonhos que alicerçam afetos que sustentam ficções... nascentes desejantes... Alvo-Véu, Alva-Água, Alta-Vida...
Texto: Regina Giacomini

Valdete Hinnig é de Florianópolis, mas mora em Jaraguá do Sul. É membro da Associação Jaraguaense de Artistas Plásticos (AJAP). Frequentou o Curso de Desenho e Pintura, incluindo as técnicas de grafite, carvão, bico de pena, saguine, pastel, aquarela e óleo sobre tela, na escola Fátima Atelier, em Cuiabá. Atuou como presidente da AJAP e participou de várias exposições. Foi premiada no concurso Pinte a História de Jaraguá.

Sala Elke Hering
Exposição de obras do Acervo:
1. Elke Hering
Sem título
Escultura em Bronze
Dim. 32x32x13cm - 1978

2. Elke Hering
Figura sentada
Escultura em Bronze
Dim. 47x20x20cm - 1996

3. Elke Hering
Colete Espacial
Escultura em Bronze

4. Elke Hering
Memória Arqueológica
Gesso e areia - 1990

Elke Hering foi escultora, desenhista, gravadora, pintora, design e programadora visual. O legado cultural da artista faz parte da história da arte blumenauense. Foi em 1957 que começou a carreira. No ano seguinte optou por se aperfeiçoar no ramo da arte pelo Brasil e pela Europa, mais especificamente em Munique. A partir de então passou a fazer mostras coletivas e individuais, chegando a expor nos Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro e também no exterior, saindo vencedora em vários concursos.

Reconhecida nacional e internacionalmente, Elke também mudou o cenário cultural da cidade em que nasceu. Ajudou na criação da Galeria Açu-Açu, em 1970, e na abertura de seu próprio espaço, o Atelier. Na Fundação Cultural - Museu de Arte de Blumenau - a artista, falecida em 1994, é homenageada com uma Sala que leva o seu nome.

Galeria Municipal de Arte
Na Sala Alberto Luz, os artistas Quiko Nuts e Tales Coirolo.
Quiko Nuts apresenta uma única obra 2x3m, intitulada Música, com stencil e spray direto na parede. A Street Art está ganhando força nas ruas. Alguns a consideram poluição e outros a aclamam. Por ser de rápida execução, se espalha por toda a cidade, com uma forma de visão crítica para a sociedade. O artista Quiko Nuts considera que a arte está cada vez mais acessível aos olhos do leigo e busca trazer um olhar crítico sobre nosso estilo de vida e a forma como aceitamos o que é novo.

Quiko utilizará 18 máscaras de stencil e com a técnica de spray, fará diretamente na parede, durante a abertura da exposição, a obra Música que é uma crítica à indiferença com o que acontece ao nosso lado. Vemos apenas o que nos convém. Colocamos nossas trilhas musicais e saímos "cegos". A pressa e correria atrás do pote de ouro, beleza e satisfação, faz com que deixemos escapar aos nossos olhos acontecimentos importantes.

Quiko é natural de Curitiba, mas reside em Blumenau há quatro anos. É grafiteiro desde 1997. Fez parte do coletivo denominado Amargem, que desenvolveu trabalhos com stencil em Curitiba, São Paulo e Cuiabá. Grafitou também em Rondônia, Acre, Manaus, Pará, Roraima e Minas Gerais. Trabalhou com a Assessoria da Infância e Juventude em Blumenau, realizando palestras sobre arte, nas escolas. Atualmente trabalha com desenvolvimento de artes para moda e como sócio-educador do projeto Revelarte, com grafite para iniciantes.

Tales
Já Tales Coirolo apresenta 10 cartazes utilizando a técnica tinta acrílica sobre papel e colagens, suporte bastidor de papel rígido. O artista traz para uma sala oficial o trabalho que exercitou pelas ruas durante o ano de 2010, questionando o limite do que é arte. Propõe repetir as temáticas, dimensões e materiais usados nas ruas, abordando temas psicossociais, pessoais e coletivos. Uma linguagem pictórica com raiz na pintura que transita entre o Design Gráfico, Impressionismo e Pop Art, mesclando colagens, logotipia, tipografia e moda, transpassando o figurativo e o decorativo abstrato na busca do "belo"?, lúdico e a pregnância das imagens como ícones urbanos. Uma palheta de cores luminosas marcada por uma preocupação gráfica no uso do preto. A intenção dessa exposição é dar continuidade à questão do fazer, do conhecer e do expressar a pintura em sua forma contemporânea. Isso não é arte?

Tales Coirolo é natural de Porto Alegre, mas reside em Blumenau. Possui graduação em Design de Produto e Artes Plásticas. Pós Graduação em Gestão Estratégica de Marketing ICPG, Mestrando em Desenvolvimentos Regional pela FURB. Atuou como Designer de Produto, Designer de Moda, Ilustrador freelancer. Atualmente é professor universitário nos cursos de Design de Produto, FURB, Design de Moda, Univali e UniAsselvi. Presta consultoria na área de desenvolvimento de produtos relacionados à moda.

Galeria do Papel
Obras do acervo do artista Abelardo Zaluar, que nasceu em Niterói em 1924 e faleceu no Rio de Janeiro em 1987. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes entre 1944 e 1948. Mais tarde, a partir de 1957, viria a ser professor catedrático de Desenho, na mesma instituição. Realizou sua primeira exposição, de aquarelas, em 1947, colocando em segundo plano a pintura a óleo, porquanto toda sua atenção vinha sendo concentrada na sua atividade como desenhista. Assim, somente em 1969 traria a público sua primeira exposição de pinturas, na Galeria Bonino.

Prêmios e exposições
Foi como desenhista que em 1963 recebeu o prêmio de viagem à Europa do Salão Nacional de Arte Moderna, tal como fora premiado em 1958 (Salão do Mar, RJ), 1959 (Salão de Belo Horizonte), etc. O MAM-RJ dedicou-lhe em 1975 uma retrospectiva, e o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro realizou, em 1984, uma exposição cobrindo sua produção entre 1974 e 1984.
Finalmente em 1993 foi a vez do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, organizar uma completa retrospectiva de toda a sua produção.

Do figurativismo à pintura racional
Após começos figurativos, em que fixava, através de aquarelas e desenhos, aspectos da natureza, Zaluar enveredou pela vertente não-representativa, pautando toda a sua produção, desde então, pelo severo jogo de linhas, formas e cores dispostas racionalmente, numa depuração crescente.

Como disse Mário Barata em 1970, o senso de medida talvez seja a maior característica da arte de Zaluar, ao lado da finura, do elevado grau de harmonia de suas trajetórias e do vigor visual de suas obras. Tal depuração gradativa levou-o, no devido momento, à vertente construtivista, sem que, contudo, atingisse ao ascetismo minimalista. Na verdade, em Zaluar dá-se um equilíbrio entre razão e emoção, pois, como observou um de seus mais persistentes críticos, Frederico Morais, através da geometria, Zaluar filtra e decanta a realidade, suas próprias emoções, eliminando impurezas e fixando-se no essencial.

A presença sutil do desenho
A formação básica como desenhista transpira nitidamente de sua pintura, via de regra estruturada com auxílio da linha, a qual contém as formas e ao mesmo tempo as amarra num todo significativo. Em anos subsequentes, Zaluar buscou reinterpretar a riqueza do Barroco Mineiro em quadros que se destacam pelo cromatismo. Nesses quadros ele recriava as relações espaciais barrocas, imprimindo-lhes sua austeridade. A partir da década de 1980 a cor vai se impondo gradualmente sobre a linha: Zaluar, que em começos de sua atividade como pintor fazia quase pintura desenhada ou desenho colorido, torna-se um colorista, sem abandonar, contudo, a severa estruturação formal, as relações racionais que as formas desenvolvem no espaço pictórico.
Fonte: CR-Rom «500 Anos da Pintura Brasileira»

Assessora de Comunicação: Marilí Martendal